- Ora professora, só pode ser um mané.
Pelo visto Joãozinho foi muito além da perspectiva da professora. Ela, o fez esta pergunta para ensinar-lhe o modo correto da língua portuguesa. Ele com sua sabedoria de menino, idealizou a realidade que estava a sua volta. E não é preciso explicar a sátira, ela por si só já é bastante esclarecedora.
Vamos supor que, se ao invés dos professores ensinarem a língua culta portuguesa e seus substantivos, sujeitos e adjetivos, eles ensinassem que para nos comunicarmos precisamos unicamente da nossa vontade de nos aproximarmos das pessoas e de sermos simpáticos para quando elas se aproximem de nós. Que não ressaltassem demasiadamente, que "a gente somos" está errado e o correto é "nós somos" e que precisamos mesmo é saber usurfruir de cada tipo de linguagem para cada tipo de ambiente, pois o que importa mesmo é a elaboração e entendimento da conversação.
Vamos supor que ao invés dos professores somente martelarem a cabeça de seus alunos dizendo em sala de aula que dois mais dois é quatro, e que a hipotenusa é o lado mais longo do triângulo retângulo, ensinassem também que na vida devemos subtrair as tristezas, somar as alegrias, multiplicar o bem comum e dividir os problemas para um mundo melhor;
Vamos supor que ao invés dos professores ensinarem exageradamente os persas, egípcios, gregos, romanos e todo o passado eles enfatizassem de forma empolgada e satisfatória que seus alunos podem mudar o futuro e fazer dele o melhor momento jamais visto. E que ao invés de repetir e repetir que existiu ditadura no Brasil, eles convencessem aos que estão na sala que eles vivem em democracia e que eles a utilizem para o bem coletivo.
Que tal ao invés de bater na tecla de países desenvolvidos e subdesenvolvidos eles estimulassem nos seus ouvintes a solidariedade e que independente de que país e condição ele esteja, deve-se acima de tudo doar. Compartilhar. Sentir compaixão. Amar ao próximo como seres humanos e irmãos.
Que ao invés de lembrar a cada aula de geografia a condição miserável em que a África se encontra, estimulassem aos alunos a prática da caridade.
Estamos presos a um sistema educacional extremamente limitado e repetitivo. Regras acadêmicas não passam de regras acadêmicas. E a ética? E o caráter? O que significam? Nada? Por que será que nós alunos nunca nos conformamos em frequentar essas aulas cansativas? Porque de um modo geral ela não nos interessa. É claro que devemos obter conhecimentos globalizados, mas não somos sere limitados para nos prender somente a isto. E também não é só disto que estamos precisando. Necessitamos de muito mais.
Necessitamos de amor, de carinho, compaixão, paz, harmonia. Não somos carentes de reconhecer que EUA é a maior potência mundial. Somos carentes em perceber que precisamos fazer algo, para que essa potência não se torne poderosa o suficiente para acabar com nosso planeta. Não somos carentes em saber que a África tem fome. Estamos carentes em precisar esses alimentos para enviar a este continente. E muito menos estamos carentes em saber que estamos em democracia. Estamos carentes em colocar em prática. Peço, professores, que não se limitem a aulas de matemática só porque no futuro irá precisar dela para uma profissão bem sucedida. Acima de qualquer exibicionismo intelectual e financeiro, caráter e educação interior e humanitário é mais essencial.
As suas reflexões apontam para uma coisa: falta pensadores nas nossas escolas.
ResponderExcluirAbraço!